Met confirma fusão com a Neue Galerie e reforça acervo de arte austríaca e alemã em Nova Iorque

A união prevista para 2028 preserva a sede histórica da Neue Galerie, amplia a coleção do Met e garante a continuidade de um dos espaços culturais mais charmosos da Museum Mile.

Neue Galerie New York
Neue Galerie New York

O Metropolitan Museum of Art anunciou um acordo histórico para incorporar a Neue Galerie New York a partir de 2028, em uma fusão que promete fortalecer de forma decisiva a presença da arte austríaca e alemã do século XX em Nova Iorque. A operação reunirá um dos acervos mais importantes do gênero fora da Europa sob a estrutura do Met, sem descaracterizar a experiência intimista que tornou a Neue Galerie um endereço querido por visitantes, colecionadores e especialistas.

Neue Galerie manterá identidade própria na Quinta Avenida

Apesar da fusão, a Neue Galerie continuará funcionando em sua sede atual, a histórica William Starr Miller House, na Fifth Avenue, em Manhattan. O edifício de seis andares em estilo Beaux-Arts, projetado por Carrère & Hastings e construído em 1914, passará a se chamar The Met Ronald S. Lauder Neue Galerie após a conclusão do acordo.

A proposta é preservar o caráter singular do museu, incluindo suas galerias, a loja de design, a livraria e o tradicional Café Sabarsky, conhecido por recriar a atmosfera dos cafés vienenses. O novo formato fará com que a instituição se junte ao The Met Fifth Avenue e ao The Met Cloisters como parte do universo do Metropolitan Museum of Art.

A Neue Galerie também seguirá com reformas já planejadas para o prédio. O museu fechará para obras em 27 de maio de 2026 e tem reabertura prevista para o outono do Hemisfério Norte, com uma exposição comemorativa de seus 25 anos.

Acervo ganha obras de Klimt, Schiele e Beckmann

A fusão representa um salto estratégico para o Met, que historicamente não tinha a mesma força em arte austríaca e modernismo alemão que possui em áreas como arte antiga, Impressionismo francês ou arte medieval.

Com a incorporação da Neue Galerie, o museu passa a abrigar uma coleção de referência dedicada à Viena de 1900 e aos principais movimentos alemães do início do século XX, como Blaue Reiter, Brücke, Bauhaus e Nova Objetividade. O acervo inclui obras de Gustav Klimt, Egon Schiele, Oskar Kokoschka, Ernst Ludwig Kirchner, Max Beckmann, Gabriele Münter, Josef Hoffmann e outros nomes fundamentais do período.

Entre os destaques está o célebre “Retrato de Adele Bloch-Bauer I”, de Gustav Klimt, conhecido mundialmente como “Mulher em Ouro”. A pintura, restituída após o saque nazista durante a Segunda Guerra Mundial, foi adquirida por Ronald S. Lauder em 2006 por US$ 135 milhões e se tornou o grande símbolo da Neue Galerie.

“Mulher em Ouro” seguirá como ícone do museu

Mesmo com a entrada da instituição na estrutura do Met, a obra-prima de Klimt permanecerá na Neue Galerie. Ronald S. Lauder descreve o retrato de Adele Bloch-Bauer como a “Mona Lisa” do museu, reforçando o papel central da pintura na identidade da casa.

A permanência da obra no edifício original é um sinal importante da proposta da fusão: ampliar a capacidade institucional, financeira e curatorial da Neue Galerie sem transformá-la em apenas mais uma ala do Met.

Doações ampliam força da nova coleção

O acordo também prevê doações relevantes de Ronald S. Lauder e de sua filha, Aerin Lauder Zinterhofer. A família planeja doar 13 pinturas austríacas e alemãs do século XX de sua coleção particular para as instituições reunidas.

Entre as obras previstas estão “Die Tänzerin” ou “The Dancer”, de Gustav Klimt, produzida por volta de 1916–1918; “Die Russische Tänzerin Mela”, de Ernst Ludwig Kirchner, de 1911; e “Galleria Umberto”, de Max Beckmann, de 1925. Futuras doações prometidas incluem ainda “The Black Feather Hat”, de Klimt, além de trabalhos de Otto Dix, George Grosz e Franz Marc.

Além das obras, Lauder e Aerin Lauder Zinterhofer planejam destinar recursos substanciais para um fundo patrimonial voltado à preservação de longo prazo da Neue Galerie, além de valores adicionais para apoiar os custos de integração da coleção e das operações do prédio.

Filantropia e legado no centro da fusão

A união entre Met e Neue Galerie também reflete uma dimensão essencial do cenário cultural de Nova Iorque: a relação entre grandes museus, filantropia privada e planejamento de legado. Aos 82 anos, Ronald S. Lauder busca garantir que o museu criado por ele e inspirado em sua parceria com Serge Sabarsky continue preservado para as próximas gerações.

A Neue Galerie foi idealizada por Lauder e Sabarsky como um espaço dedicado à arte e ao design austríacos e alemães do início do século XX. Após a morte de Sabarsky, em 1996, Lauder levou o projeto adiante. O museu abriu ao público em novembro de 2001, poucos meses depois dos ataques de 11 de setembro, e desde então recebeu mais de 2 milhões de visitantes.

Em uma reflexão pessoal divulgada junto ao anúncio, Lauder afirmou que a fusão com o Met irá preservar e fortalecer o legado da Neue Galerie “em perpetuidade”. Ele também destacou o papel do diretor e CEO do Met, Max Hollein, na condução da nova fase da instituição.

Met vive fase de expansão e renovação

A fusão acontece em um momento de transformação para o Metropolitan Museum of Art. A instituição está reformando cerca de um quarto de seu edifício de 2 milhões de pés quadrados na Fifth Avenue, como parte de uma campanha de capital de US$ 1,5 bilhão.

Entre os projetos recentes e futuros estão a reabertura da ala Michael C. Rockefeller para artes da África, Oceania e Américas antigas em 2025; as novas galerias Condé M. Nast, inauguradas em 10 de maio de 2026; as galerias de Arte da Antiga Ásia Ocidental e do Chipre Antigo, previstas para 2027; novos espaços de alimentação e varejo; e a Tang Wing para Arte Moderna e Contemporânea, com abertura prevista para 2030.

Museum Mile ganha novo peso cultural

Na prática, a fusão deve abrir espaço para exposições de maior alcance, pesquisas acadêmicas mais robustas, novas iniciativas digitais, programas colaborativos e uma circulação internacional mais ampla para a coleção da Neue Galerie.

Com isso, a Museum Mile, trecho da Quinta Avenida que já reúne alguns dos museus mais importantes de Nova Iorque, ganha ainda mais relevância. A integração entre Met e Neue Galerie consolida a cidade como um dos principais centros mundiais para a arte europeia moderna e reforça a capacidade dos grandes museus de preservar coleções históricas sem apagar a personalidade das instituições que as formaram.

Acompanhe os próximos passos da fusão entre Met e Neue Galerie e programe sua visita para conhecer de perto um dos acervos mais importantes de arte austríaca e alemã fora da Europa.

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