Fonte Bethesda vai fechar por um ano em Nova York para reforma de US$ 37 milhões

Símbolo histórico do Central Park recebe restauração completa a partir de agosto, enquanto o Terraço Bethesda seguirá aberto aos visitantes

Bethesda Terrace - Central Park
Bethesda Terrace – Central Park

Um dos cartões-postais mais fotografados de Nova York vai desaparecer atrás de tapumes de obra. A partir do início de agosto, a Fonte Bethesda, marco de 153 anos no coração do Central Park, será desligada e fechada ao público por cerca de um ano. A intervenção faz parte de uma restauração ampla, orçada em US$ 37 milhões, conduzida pela Central Park Conservancy em parceria com a prefeitura da cidade.

Apesar da interdição da fonte propriamente dita, o Terraço Bethesda permanecerá acessível durante todo o período de obras. Isso significa que quem visitar o local ainda poderá caminhar pela arcada ornamentada e apreciar a vista para o Lago, um dos pontos mais procurados do parque para passeios, propostas de casamento e cenas de cinema.

Um projeto que vai além da fonte

A reforma da Fonte Bethesda é apenas uma parte de um plano de preservação mais amplo. Também está prevista a reconstrução completa do Conservatory Water, o lago de barquinhos localizado no lado leste do parque. Juntas, as duas obras vão modernizar a infraestrutura escondida sob dois dos monumentos mais tradicionais do Central Park.

Bethesda Fountain - Central Park
Bethesda Fountain – Central Park

A história por trás da Angel of the Waters

Se a Fonte Bethesda parece atemporal, há um motivo: ela quase é. Inaugurada em 1873, a fonte é obra da escultora norte-americana Emma Stebbins, nascida em Nova York em 1815 e reconhecida como a primeira mulher a receber uma comissão pública de arte na cidade.

Stebbins recebeu a encomenda em 1863, mas o processo criativo foi longo. Ela passou quatro invernos, entre 1864 e 1867, moldando os modelos em argila e gesso da escultura em seu ateliê em Roma. A peça final, batizada de Angel of the Waters (Anjo das Águas), foi fundida em bronze na Alemanha antes de seguir para Nova York, onde só foi inaugurada em 31 de maio de 1873 — dez anos depois da encomenda original.

A obra homenageia a inauguração do Aqueduto Croton, sistema que, em 1842, levou pela primeira vez água potável e tratada para Manhattan, colocando fim a um período marcado por surtos devastadores de cólera e outras doenças causadas pela falta de saneamento. Não por acaso, o nome “Bethesda” remete a uma passagem bíblica do Evangelho de João, que descreve um anjo que concede poderes de cura às águas de um lago em Jerusalém.

Os detalhes simbólicos da escultura reforçam essa mensagem: o anjo segura um lírio, representando a pureza da água, enquanto quatro querubins na base simbolizam paz, saúde, pureza e temperança. Curiosamente, a Angel of the Waters é a única obra de arte do Central Park que foi encomendada diretamente pelos idealizadores e administradores do parque — todas as demais peças do acervo foram doações.

Ao longo de mais de um século, a fonte se tornou pano de fundo de produções como Todo Mundo em Pânico, Encantada, Esqueceram de Mim 2 e Vingadores, consolidando-se como um dos locais mais reconhecíveis do cinema americano. Ainda assim, por décadas, a história de Emma Stebbins permaneceu pouco conhecida — ela só recebeu um obituário do New York Times em 2019, quase 140 anos após sua morte, dentro da série “Overlooked”, que resgata biografias esquecidas pelo jornal.

Desgaste natural após 150 anos de uso

Depois de mais de um século e meio em funcionamento contínuo — e de inúmeros ciclos de congelamento e degelo típicos do inverno nova-iorquino —, os sistemas mecânicos da fonte já mostram sinais evidentes de desgaste. Durante a restauração, as equipes vão substituir bombas e outros equipamentos internos, reparar o sistema de cascata de água e recuperar detalhes esculturais perdidos ao longo de décadas de exposição às intempéries.

“A restauração da Fonte Bethesda e do Conservatory Water demonstra o compromisso inabalável da Central Park Conservancy em preservar os marcos icônicos do parque, ao mesmo tempo em que garante que eles atendam às necessidades dos visitantes de hoje”, afirmou Betsy Smith, presidente e CEO da Central Park Conservancy, em comunicado. “Esses projetos honram a visão original dos criadores do Central Park, ao incorporar uma infraestrutura moderna que vai proteger esses espaços queridos para as próximas gerações.”

Conservatory Water também passará por reforma

A poucos passos dali, o Conservatory Water também vai receber uma reforma que já era esperada há muito tempo. Construído originalmente na década de 1860 para funcionar como espelho d’água de um conservatório de plantas que nunca chegou a ser erguido, o local se transformou quase imediatamente em point tradicional para navegação de barcos em miniatura.

A Kerbs Boathouse, instalada ao lado em 1954, atende há décadas os entusiastas do hobby, oferecendo lanchonete, banheiros e espaço de armazenamento — mas nunca havia passado por uma restauração completa até agora.

Com vazamentos recorrentes ao longo dos anos, o lago receberá novas paredes de concreto, um revestimento impermeável na base, reparo nas escadarias históricas de pedra e regularização dos caminhos ao redor, para melhorar a acessibilidade. Já a Boathouse terá reforma completa, incluindo ampliação dos banheiros, modernização do espaço de concessões, atualização dos sistemas elétricos e mecânicos, melhorias de acessibilidade e a instalação de um telhado verde.

Cronograma das obras

As intervenções no Conservatory Water devem começar ainda neste ano, seguidas pela reforma da Kerbs Boathouse a partir da primavera de 2027. Segundo o planejamento da Central Park Conservancy, os dois projetos devem ser concluídos até a primavera de 2028.

Quem tinha o hábito de jogar uma moeda na Fonte Bethesda terá que esperar um pouco mais. Mas, se a restauração seguir conforme previsto, o monumento mais famoso de Nova York deve continuar em funcionamento por, pelo menos, mais 150 anos.

Aproveite para conhecer a história e os bastidores da Fonte Bethesda antes do fechamento das obras — programe sua visita ao Central Park ainda em julho e veja de perto um dos símbolos mais queridos de Nova York antes que ele se transforme.

Fonte: TmeOut New York

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